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A extrema direita não é “maluca”. É perversa.

20 de junho de 2025
Durante depoimento à PF na semana passada, o ex-presidente Jair Bolsonaro chamou seus apoiadores de “malucos”. A declaração, à primeira vista jocosa, mostra uma estratégia recorrente: desresponsabilizar um projeto político autoritário, reduzindo-o à patologia.
Foi assim também em 8 de janeiro de 2023, quando a extrema-direita depredou os três Poderes e pediu intervenção militar. Naquele momento, em vez de nomear o fascismo pelo que ele é, muitos responderam com uma crítica patologizante, como exemplo, “a intervenção psiquiátrica”.
Entretanto, não há delírio no autoritarismo, há cálculo, desejo de poder, manutenção de privilégios e repulsa à democracia. Tratar a extrema direita como “maluca” é retirar dela sua responsabilidade.
Além de um erro político, é também um erro ético: pedir intervenção psiquiátrica para lidar com extremistas é atualizar práticas de exclusão e silenciamento que marcam a história da psiquiatria enquanto braço do Estado repressivo.
A loucura não é o oposto da razão. E o fascismo não é sinônimo de loucura.