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Diante do extermínio físico e simbólico de mulheres e meninas, que comemoração faz sentido no dia de hoje?

8 de março de 2026
Com a chegada de mais um 8 de março faz-se necessária uma reflexão sobre a natureza das celebrações que cercam esta data, uma vez que o atual cenário brasileiro é marcado por um alarmante extermínio físico e simbólico de mulheres e meninas. Os dados mais recentes mostram que o Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, contabilizando cerca de quatro casos por dia, o que representa o maior índice desde a tipificação do crime. Esse avanço da violência é acompanhado por uma escalada sem precedentes do discurso de ódio em ambientes digitais, onde a chamada “machosfera” dissemina misoginia explícita e fortalece ideais que buscam o controle e a humilhação do feminino.
Nesse contexto, o sofrimento psíquico torna-se uma extensão inevitável da violência estrutural, pois o medo constante e a exposição a ataques virtuais geram traumas profundos e um estado de alerta permanente que compromete a saúde mental de toda uma geração. É fundamental compreender que a violência de gênero atua de forma indiscriminada, visto que, independentemente da postura, da vestimenta ou do comportamento da mulher, a estrutura patriarcal a posiciona como um alvo vulnerável a agressões morais, sexuais e físicas. Os retrocessos são visíveis não apenas nas estatísticas de morte, mas também na fragilização das políticas públicas e na dificuldade de implementação de medidas protetivas eficazes, o que deixa milhões de brasileiras desamparadas diante de seus agressores.
Portanto, diante deste cenário, este dia deve ser, sobretudo, um momento de luto e de denúncia contra a barbárie que se banaliza em nosso cotidiano. É imperativo que a sociedade e o Estado enfrentam a causa desse ódio para que, no futuro, as vidas das mulheres deixem de ser meros dados estatísticos de uma tragédia anunciada.