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Resgate de 70 mulheres em clínica clandestina mostra permanência de práticas de manicomiais sob o discurso do cuidado
Operação em Goiás mostrou internações forçadas, condições degradantes e denúncias de cárcere privado, reacendendo o debate sobre instituições que mantêm lógicas de isolamento e violação de direitos sob a justificativa terapêutica.

6 de maio de 2026
A operação realizada pela Polícia Civil de Goiás em uma clínica terapêutica clandestina de Abadia de Goiás trouxe à tona mais um grave episódio de violação de direitos praticado em nome do cuidado. No local, cerca de 70 mulheres foram encontradas em situação de confinamento, sendo que ao menos 12 delas relataram às autoridades que estavam internadas contra a própria vontade.
Além disso, os depoimentos reunidos durante a ação apontam para um cenário marcado por alimentação insuficiente, condições precárias de higiene, ausência de segurança e funcionamento irregular mesmo após interdição sanitária anterior. Dois responsáveis pelo estabelecimento foram presos em flagrante por cárcere privado qualificado e o caso segue sob investigação.
Embora o caso tenha ganhado repercussão pela dimensão do resgate, ele mostra uma realidade recorrente desses espaços. Isso porque instituições fechadas que operam com isolamento, privação de liberdade e contenção forçada continuam encontrando lugar em contextos de fragilidade na fiscalização pública e de permanência.
Com a justificativa de recuperação, acolhimento ou disciplina, práticas coercitivas seguem sendo naturalizadas, especialmente quando direcionadas a mulheres em sofrimento psíquico, em uso problemático de drogas ou em outras situações de vulnerabilidade social.
Além disso, o fato de o estabelecimento já possuir registro de interdição e ainda assim continuar funcionando clandestinamente revela, também, a persistência de redes paralelas de internação que se sustentam na invisibilidade e no afastamento das vítimas de seus vínculos familiares e comunitários.