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O Brasil fechou manicômios suficientes para dizer que venceu a lógica manicomial?

Entenda os desafios atuais da saúde mental pública e por que essa luta ainda continua.

O Brasil fechou manicômios suficientes para dizer que venceu a lógica manicomial?

13 de maio de 2026

Por desinstitute

A transformação da saúde mental no Brasil avançou significativamente com a Reforma Psiquiátrica e a aprovação da Lei 10.216 no ano de 2001, que buscou deslocar o foco do isolamento forçado para o tratamento humanizado dentro da comunidade. Embora o fechamento de grandes hospitais psiquiátricos tenha progredido muito conforme as orientações da Organização Mundial da Saúde, a extinção desses prédios não garante por si só que a mentalidade de exclusão tenha desaparecido do nosso cotidiano. 

É preciso compreender que a lógica manicomial vai além das paredes físicas e se manifesta sempre que o sofrimento mental é tratado como algo que deve ser escondido ou silenciado em vez de ser acolhido com dignidade.

Nesse sentido, a consolidação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos CAPS e das Residências Terapêuticas enfrenta obstáculos relacionados à falta de recursos financeiros e à descontinuidade de políticas públicas essenciais dentro do SUS. 

Quando o sistema de saúde não consegue oferecer o suporte necessário para que o pessoa viva com autonomia em seu território, surge o risco de retorno a modelos que priorizam o confinamento. O crescimento de comunidades terapêuticas que operam sem o devido rigor técnico e científico representa um sinal de alerta, pois estas instituições repetem a velha prática de isolar o indivíduo da sociedade e de seus vínculos afetivos.

Portanto, a verdadeira superação desse passado de abusos exige que o cuidado em liberdade seja defendido não apenas como um direito legal, mas como uma escolha ética e social de toda a população brasileira. O papel do Ministério da Saúde e dos órgãos de fiscalização é fundamental para garantir que os avanços conquistados não sejam perdidos para interesses que buscam simplificar o tratamento através da segregação. 

Enquanto a sociedade não aprender a conviver com a diferença e com a dor psíquica sem desejar o afastamento imediato do outro, a luta antimanicomial continuará sendo um desafio inacabado que demanda atenção constante e investimento em políticas verdadeiramente inclusivas. 

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