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Fim do Hospital Colônia de Barbacena marca encerramento de um dos maiores símbolos da violência manicomial no Brasil
Fechamento definitivo da instituição reforça a importância da luta antimanicomial e da defesa do cuidado em liberdade

23 de julho de 2026
O Governo de Minas Gerais anunciou o fechamento definitivo do antigo Hospital Colônia de Barbacena, instituição que se tornou um dos maiores símbolos das violações de direitos humanos cometidas contra pessoas consideradas indesejáveis pela sociedade brasileira ao longo do século XX.
Inaugurado em 1903, o hospital ficou conhecido nacionalmente após a divulgação de denúncias sobre superlotação, maus-tratos, abandono e mortes em larga escala. O local inspirou o livro Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex, que revelou como milhares de pessoas foram internadas sem qualquer diagnóstico de transtorno mental, incluindo mulheres, pessoas negras, pessoas em situação de pobreza, dissidentes políticos, pessoas LGBTQIA+ e indivíduos considerados inconvenientes por suas famílias ou pela sociedade.
Segundo dados do governo estadual, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição entre 1942 e 2020. Destas, aproximadamente 24 mil morreram. Muitas foram submetidas a condições degradantes, privadas de liberdade, de afeto, de cuidado e de direitos básicos.
O encerramento definitivo do Hospital Colônia representa um marco histórico para a luta antimanicomial brasileira. Mais do que o fechamento de um prédio, trata-se do reconhecimento de uma trajetória marcada por violência institucional, exclusão social e negação da dignidade humana.