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A convite da Documenta, Desinstitute participa de reunião no México com organizações da sociedade civil para debater a política de drogas e os impactos das internações forçadas
Encontro aborda o efeito das internações compulsórias e a necessidade de estratégias de oposição a esse modelo no Brasil e no México.

28 de fevereiro de 2025
Hoje, dia 28 de fevereiro, o Desinstitute participou de uma reunião organizada pela Documenta A.C., no México, para pensar estratégias de resistência da sociedade civil frente às internações involuntárias de pessoas que fazem uso abusivo de drogas. O diretor executivo do Desinstitute, Lucio Costa, esteve presencialmente no país, enquanto outros integrantes da organização participaram de forma remota. O encontro também contou com representantes de outras instituições.
O encontro, intitulado “Resistencia desde la sociedad civil frente a los internamientos involuntarios por consumo de drogas”, foi promovida pela ONG Documenta A.C., que atua na promoção do acesso à justiça e no respeito aos direitos humanos de pessoas com deficiência, populações encarceradas e no combate à tortura em instituições de privação de liberdade no território mexicano.
Durante o encontro, foram analisadas estratégias para a formulação de políticas públicas voltadas às pessoas que sofreram internações compulsórias, em condições de uso abusivo de substâncias psicoativas e/ou em sofrimento psíquico. Os participantes discutiram formas de enfrentamento a essas internações, abordando a responsabilidade da comunidade e a atuação governamental nesse contexto.
Outro ponto relevante foi a análise do funcionamento das comunidades terapêuticas no Brasil, que aplicam essa lógica de internação forçada e recebem financiamento público. Discutiu-se também as violações de direitos civis nesses espaços, incluindo a restrição de direitos reprodutivos, de gênero e sexuais, bem como a prática de terapias de conversão em alguns casos.
No contexto mexicano, foi debatido a carência de reflexões sobre a temática em uma perspectiva de gênero, raça, classe e sexualidade. Os participantes destacaram a normalização das práticas de encarceramento no país e a necessidade de ampliar o debate sobre o tema para a população no geral.
Outra questão abordada foi a invisibilidade e a falta de acompanhamento das pessoas institucionalizadas, bem como o desconhecimento da sociedade sobre a realidade dos centros de internação. A ausência de mecanismos legais que permitam aos internos questionar sua própria privação de liberdade também foi apontada como uma falha grave no sistema.
A reunião também teve como objetivo buscar formas de articulação entre governos, setor público e sociedade civil, além de promover a capacitação de profissionais para lidar com a temática. Por fim, foi reforçada a importância de criar mecanismos para exigir das autoridades soluções concretas para as questões discutidas.