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Crise da saúde mental ou crise da precarização do trabalho, do desemprego e da instabilidade sociopolítica?

Os dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social indicam um fenômeno recente chamado de crise de saúde mental ou apenas evidenciam um sistema que, há tempos, adoece?

Crise da saúde mental ou crise da precarização do trabalho, do desemprego e da instabilidade sociopolítica?

19 de março de 2025

Por desinstitute

Dados exclusivos do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2024, foram registrados mais de 470 mil afastamentos por ansiedade e depressão, o maior número desde 2014. Esse aumento representa um crescimento de mais de 60% em relação ao ano anterior, praticamente o dobro do que foi registrado em anos anteriores. Muitos veículos midiáticos estão chamando de “crise da saúde mental”. 

Mas será mesmo uma “crise da saúde mental”?  

Este fenômeno é, na verdade, uma faceta da crise estrutural do capitalismo, que se torna cada vez mais opressivo e destrutivo. Os números revelam um modelo de trabalho que adoece, sobrecarrega e esgota os trabalhadores, enquanto os sintomas desse adoecimento são tratados de forma individualizada, como se fossem falhas pessoais e não consequências de um sistema exploratório.

O ciclo vicioso se repete: o trabalhador se afasta, recebe tratamento, mas retorna para o mesmo ambiente que o adoece, sem que as condições estruturais mudem. A culpa, então, recai sobre o indivíduo, que se vê pressionado a se adequar a um modelo de produtividade utópico. Esse modelo está pautado em uma lógica onde “saudável é quem trabalha”, o que reduz a saúde mental a um mero fator de manutenção da força de trabalho.

Neste contexto, os dados sobre afastamentos são um alerta para a urgência de repensarmos nossas relações de trabalho e modos de produção. Os sintomas são apenas reflexos de um problema maior: um sistema que prioriza o lucro em detrimento da vida.

Mudar esse cenário exige ir além do tratamento individualizado e questionar as raízes do problema. Afinal, não podemos permitir que o sofrimento psíquico seja usado para silenciar aqueles que denunciam as contradições do modelo atual. 

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