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Cybercondria, vocabulário psiquiátrico e a banalização da saúde mental

Cybercondria, vocabulário psiquiátrico e a banalização da saúde mental

23 de fevereiro de 2025

Por desinstitute

A popularização do vocabulário psiquiátrico nas redes sociais e na linguagem cotidiana tem sido cada vez mais presente. Por um lado, esse fenômeno pode ajudar a reduzir o estigma sobre a saúde mental. Por outro, a disseminação indiscriminada de termos psiquiátricos, muitas vezes sem embasamento, leva ao uso equivocado desses conceitos e ao risco de banalização do sofrimento psíquico.

Um exemplo disso é o fenômeno da cybercondria, termo usado para descrever a busca incessante por doenças e autodiagnósticos na internet. Essa prática, impulsionada pela infinidade de informações disponíveis online, muitas vezes resulta na individualização do sofrimento psíquico, fazendo com que problemas sociais e estruturais sejam reduzidos a questões estritamente pessoais.

No entanto, é fundamental destacar que cybercondria não é uma patologia. Esse conceito, em vez de ser visto como mais um diagnóstico moderno, pode nos ajudar a refletir sobre as condições sociais que nos levam a essa necessidade de nomear e justificar o sofrimento a qualquer custo.

No contexto do capitalismo, a saúde mental também se torna um nicho de mercado. Empresas utilizam o discurso do bem-estar para vender produtos, tornando o sofrimento psicológico uma mercadoria. Isso reforça a lógica individualizante, ignorando os impactos da desigualdade e das condições de vida na saúde mental.

Por isso, a crítica deve ser dirigida a cultura de autodiagnósticos e às condições que as levam a essa necessidade. Devemos nos perguntar: Por que precisamos tanto de rótulos para validar o que sentimos?

Somos sujeitos plurais, e nossa existência não precisa ser reduzida a diagnósticos. Precisamos de acolhimento, não de mais categorias que nos encaixem em caixas pré-definidas. Ademais, é importante salientar que a cybercondria é um conceito novo e complexo, cuja dimensão social ainda precisa ser melhor compreendida e elaborada. Caso contrário, corre-se o risco de transformá-la em mais um diagnóstico, quando, na verdade, pode ser entendida como um fenômeno social.

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