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Desinstitute leva defesa do cuidado em liberdade ao STF em ação sobre manicômios judiciários de Minas Gerais

Organização ingressa como amicus curiae em processo que pode influenciar o futuro da Política Antimanicomial do Poder Judiciário e o fechamento de hospitais de custódia no estado.

Desinstitute leva defesa do cuidado em liberdade ao STF em ação sobre manicômios judiciários de Minas Gerais

23 de julho de 2026

Por desinstitute

O Desinstitute ingressou como amicus curiae no Mandado de Segurança nº 40.940, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute a continuidade da implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário em Minas Gerais. A ação foi movida pelo Ministério Público de Minas Gerais contra normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que preveem o fechamento progressivo dos manicômios judiciários e a proibição de novas internações nesses estabelecimentos.

O processo ganhou relevância após decisão liminar que suspendeu temporariamente a vedação de novas admissões no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Jorge Vaz, em Barbacena, e no Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves. A medida reacende o debate sobre o destino dos manicômios judiciários em Minas Gerais e sobre os caminhos para garantir cuidado em saúde mental sem recorrer a instituições de caráter asilar.

Ao lado de organizações da sociedade civil, movimentos antimanicomiais, entidades de direitos humanos, pesquisadores e representantes de usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o Desinstitute busca contribuir com elementos técnicos, jurídicos e institucionais para o julgamento. A manifestação apresentada ao STF sustenta que a manutenção da política de desinstitucionalização está alinhada à Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e à própria Resolução nº 487/2023 do CNJ, que instituiu a Política Antimanicomial do Poder Judiciário.

A discussão ocorre em um momento decisivo para Minas Gerais. Nos últimos anos, o estado avançou na construção de estratégias para substituir a lógica dos manicômios judiciários por serviços territoriais e comunitários de cuidado, articulados à RAPS e ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para as entidades que ingressaram no processo, a reabertura ou o fortalecimento dessas instituições representa um risco de retrocesso diante de um histórico marcado por segregação, violações de direitos humanos e privação prolongada de liberdade.

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