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Mais uma vez surgem denúncias de violações de direitos humanos em Comunidades Terapêuticas
Relatos recentes expõem práticas de violência, internações forçadas e tentativas de “cura” da sexualidade em instituições que operam na lógica manicomial

4 de maio de 2026
As recentes denúncias de violações de direitos humanos em Comunidades Terapêuticas recolocam no centro do debate público a permanência de práticas que contrariam diretamente os princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira.
Em Luziânia, Goiás, relatos apontam para contenção física, administração de sedativos sem acompanhamento médico e internações involuntárias. No mesmo período, uma denúncia mostrou que um jovem foi internado à força pelos próprios pais em uma clínica, com o objetivo de “corrigir” sua orientação sexual.
O caso expõe o uso dessas instituições como dispositivos de coerção e normalização, onde identidades e modos de vida são tratados como desvios a serem corrigidos. A chamada “cura gay”, já amplamente rejeitada por conselhos profissionais e organizações de direitos humanos, reaparece na prática cotidiana desses espaços.
Os relatos indicam um padrão de isolamento, disciplina, supressão de autonomia e violação de direitos básicos. Sob o discurso de acolhimento, muitas dessas instituições operam a partir de uma lógica moralizante e punitiva, distante das diretrizes do cuidado em liberdade.
Casos como o incêndio no Instituto Terapêutico Liberte-se, no Distrito Federal, que resultou em mortes e pessoas feridas em um contexto de confinamento, tornam explícitos os riscos concretos desse modelo.
Diante desse cenário, torna-se fundamental reafirmar o compromisso com a ampliação de políticas públicas baseadas no cuidado em liberdade, com o fortalecimento dos CAPS, dos Serviços Residenciais Terapêuticos e das Unidades de Acolhimento, assim como com a construção de estratégias de transição que superem definitivamente estruturas que sustentam violações.