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O que a luta antimanicomial e o movimento LGBTQIAPN+ têm em comum?

Embora tenham trajetórias distintas, ambos os movimentos nasceram da resistência à patologização, ao controle dos corpos e à negação de direitos.

O que a luta antimanicomial e o movimento LGBTQIAPN+ têm em comum?

23 de julho de 2026

Por desinstitute

À primeira vista, a luta antimanicomial e o movimento LGBTQIAPN+ podem parecer pautas diferentes. No entanto, ambas compartilham uma história marcada pela resistência à violência institucional e à ideia de que determinadas formas de existir precisam ser corrigidas, isoladas ou controladas.

Durante grande parte do século XX, pessoas  LGBTQIAPN+ foram classificadas como “doentes mentais”. A homossexualidade permaneceu nos manuais de psiquiatria até 1990, quando foi retirada da Classificação Internacional de Doenças (CID) pela Organização Mundial da Saúde. Antes disso, e mesmo depois, em muitos contextos, milhares de pessoas foram submetidas a internações psiquiátricas, eletrochoques, terapias de conversão e outras práticas que buscavam “normalizar” identidades e orientações sexuais.

Essa lógica dialoga diretamente com a crítica feita pela luta antimanicomial, pois além de combater hospitais psiquiátricos, o movimento questiona um modelo que transforma diferenças em diagnósticos, restringe liberdades e utiliza a institucionalização como resposta para aquilo que foge às normas sociais.

As duas lutas também denunciam a medicalização da diferença e o controle dos corpos. Em vez de reconhecer a diversidade humana, práticas manicomiais historicamente produziram exclusão, silenciamento e perda de autonomia. Da mesma forma, pessoas LGBTQIAPN+ foram, por décadas, privadas do direito de definir suas próprias vidas, afetos e identidades.

Embora importantes avanços tenham sido conquistados, essa história ainda produz efeitos no presente. Pessoas LGBTQIAPN+, especialmente pessoas trans, seguem enfrentando barreiras de acesso à saúde, discriminação institucional e tentativas de patologização em diferentes espaços. Em comunidades terapêuticas e outras instituições de caráter asilar, ainda são registrados relatos de violações de direitos relacionadas à orientação sexual e à identidade de gênero.

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